Não existe uma medida única para todas as operações

Uma dúvida frequente em armazéns, centros de distribuição e áreas industriais é: qual deve ser a largura mínima do corredor para uma empilhadeira?

A resposta técnica não pode ser baseada apenas na largura nominal do equipamento. O corredor deve ser dimensionado considerando o conjunto formado pela empilhadeira, pela carga, pela manobra executada, pelas estruturas existentes e pela eventual circulação de pedestres.

Um corredor pode ser suficiente para o deslocamento em linha reta e, ao mesmo tempo, ser totalmente inadequado para que a empilhadeira gire, alinhe a carga e realize o depósito em um porta-paletes.

A ABNT NBR 17150-1:2024 trata dos requisitos de projeto estrutural das estruturas porta-paletes. A própria norma determina que o projeto considere as tolerâncias estabelecidas na ABNT NBR 17150-2 e as condições de operação descritas na EN 15635.

A ABNT NBR 17150-1 define corredor como o espaço mínimo entre estruturas de armazenagem, ou entre a estrutura e outros obstáculos, destinado ao trânsito de pessoas, equipamentos e cargas. Portanto, não se trata apenas do espaço ocupado pela empilhadeira.

O que estabelece a NR 11?

O texto vigente da NR 11 não apresenta uma largura numérica geral aplicável a todos os corredores de empilhadeiras.

A norma estabelece que os equipamentos utilizados na movimentação de materiais, incluindo as empilhadeiras, devem ser calculados, construídos e conservados de forma a oferecer resistência e segurança. Também determina que a disposição dos materiais não dificulte o trânsito, a iluminação e o acesso às saídas de emergência.

Isso significa que o profissional responsável deve justificar tecnicamente o dimensionamento do corredor, utilizando:

  • características da empilhadeira;
  • dimensões reais das cargas;
  • fichas técnicas e manual do fabricante;
  • projeto do sistema de armazenagem;
  • análise de riscos;
  • condições de circulação de pedestres;
  • normas técnicas nacionais e, quando necessário, referências internacionais.

A ausência de um número único na NR 11 não permite dimensionar o corredor por experiência informal ou simplesmente repetir uma medida utilizada em outro armazém.

Largura para deslocamento em linha reta

Nas situações representadas pela ABNT NBR 17150-2:2024, deve ser considerada uma folga lateral de pelo menos 300 mm entre o envelope operacional e cada estrutura ou obstáculo.

O envelope operacional deve ser determinado pela maior largura entre:

  • a empilhadeira;
  • a unidade de carga transportada

Exemplo

Considere:

  • largura da empilhadeira: 1.200 mm;
  • largura da carga: 1.400 mm.

O elemento determinante é a carga: 1.400 mm

Portanto: Lcorredor = 1.400 + 300 + 300 = 2.000 mm

Neste exemplo, um corredor de 2.000 mm pode ser tecnicamente compatível com o deslocamento em linha reta, desde que não seja necessário realizar giro, cruzamento com outro equipamento ou movimentação simultânea de pedestres.

A folga deve acompanhar o que for mais largo

Um erro recorrente é utilizar apenas a largura indicada no catálogo da empilhadeira.

Uma empilhadeira com 1.200 mm de largura pode transportar:

  • palete com 1.000 mm;
  • carga com 1.400 mm devido ao balanço lateral;
  • materiais longos;
  • caixas deformadas;
  • big bags;
  • bobinas;
  • peças com centro de gravidade deslocado;
  • cargas com embalagem ou amarração saliente.

Nesse caso, a carga passa a determinar a largura operacional do corredor.

Também devem ser considerados deslocamentos laterais provocados por:

  • posicionador de garfos;
  • deslocador lateral;
  • garras;
  • clamps;
  • suportes especiais;
  • deformação da embalagem;
  • movimentação da carga durante o transporte.

Corredores com tráfego nos dois sentidos

Para circulação bidirecional, não basta dobrar a largura da empilhadeira. Devem ser somados:

  1. o envelope do equipamento e da carga no primeiro sentido;
  2. o envelope do equipamento e da carga no sentido contrário;
  3. as folgas laterais junto às estruturas;
  4. a folga entre os dois envelopes operacionais;
  5. o espaço destinado aos pedestres, quando aplicável.

Tomando como referência a situação da ABNT NBR 17150-2:2024:

  • 300 mm entre o primeiro envelope e a estrutura;
  • 300 mm entre os dois envelopes em circulação;
  • 500 mm no lado destinado à presença de pedestre.

Atenção ao valor de 500 mm

Os 500 mm indicados na figura não devem ser interpretados automaticamente como uma largura universal de faixa de circulação de pedestres.

Uma rota permanente para pedestres pode precisar de largura maior em razão de:

  • quantidade de trabalhadores;
  • circulação em dois sentidos;
  • acessibilidade;
  • utilização como rota de fuga;
  • necessidade de barreira física;
  • cruzamentos;
  • portas e acessos;
  • transporte manual de materiais;
  • risco de aprisionamento entre a empilhadeira e a estrutura.

A recomendação internacional é separar fisicamente veículos e pedestres sempre que possível, utilizando rotas distintas, barreiras, sinalização, travessias controladas e espaços que não produzam pontos de esmagamento.

Quando a empilhadeira precisa girar

Largura de circulação não é largura de manobra

A largura necessária para transitar em linha reta é diferente da largura necessária para retirar ou armazenar um palete a 90°.

Durante a manobra, a empilhadeira ocupa uma área maior devido a:

  • raio de giro;
  • balanço traseiro;
  • posição do eixo de direção;
  • distância entre eixos;
  • comprimento do equipamento;
  • comprimento dos garfos;
  • distância da face dos garfos ao eixo dianteiro;
  • comprimento e orientação do palete;
  • dimensões da carga;
  • acessórios instalados;
  • trajetória descrita pela carga.

Por isso, para corredores operacionais de porta-paletes, deve ser consultado o valor de largura de corredor de trabalho, normalmente identificado na ficha técnica do fabricante como Ast.

O fabricante pode informar valores diferentes para:

  • palete de 800 mm × 1.200 mm no sentido longitudinal;
  • palete de 1.000 mm × 1.200 mm no sentido transversal;
  • empilhadeira sem carga;
  • empilhadeira carregada;
  • diferentes acessórios e configurações.

O valor Ast deve ser utilizado somente quando as condições reais forem compatíveis com as condições consideradas pelo fabricante.

O que deve ser verificado junto ao Ast

Antes de adotar o valor da ficha técnica, o responsável deve confirmar:

  • dimensões do palete utilizado no cálculo;
  • orientação de entrada dos garfos;
  • comprimento real da carga;
  • balanço da carga para fora do palete;
  • raio de giro da empilhadeira;
  • comprimento dos garfos;
  • acessório instalado;
  • posição do centro de carga;
  • folga de segurança considerada pelo fabricante;
  • tolerâncias construtivas e operacionais;
  • necessidade de aproximações sucessivas durante a manobra.

Não se deve simplesmente copiar o menor valor Ast disponível em um catálogo comercial.

Giro de 90° para armazenagem

Para inserir uma carga em um porta-paletes perpendicularmente ao corredor, o dimensionamento deve considerar a trajetória completa da empilhadeira e da carga.

Devem ser observados:

  • protetores de montantes;
  • pilares do prédio;
  • hidrantes;
  • painéis elétricos;
  • portas;
  • desalinhamentos das estruturas;
  • deformações dos porta-paletes;
  • cargas posicionadas parcialmente para fora da estrutura;
  • tolerâncias do piso;
  • necessidade de correção de alinhamento pelo operador.

A ABNT NBR 17150-1 destaca que as condições operacionais e as imprecisões de posicionamento das cargas podem precisar ser consideradas no projeto, principalmente quando houver desalinhamentos significativos e características específicas dos equipamentos utilizados.

Retorno, giro de 180° e mudança de corredor

Para uma empilhadeira realizar um retorno completo, a análise deve considerar a área varrida pelo conjunto durante toda a manobra.

O balanço traseiro merece atenção especial. Enquanto a parte dianteira gira em direção à carga, a traseira pode se deslocar lateralmente contra:

  • estruturas porta-paletes;
  • colunas;
  • pessoas;
  • equipamentos estacionados;
  • painéis;
  • portas;
  • proteções metálicas.

Nessa situação, uma fórmula baseada apenas na largura da empilhadeira não é suficiente.

A melhor prática é elaborar uma análise de trajetória, utilizando:

  • desenho em planta;
  • blocos fornecidos pelo fabricante;
  • software CAD;
  • simulação digital;
  • ensaio controlado no local.

O teste prático deve ser realizado com o equipamento correto e com uma carga representativa da condição mais desfavorável. O ensaio não substitui o projeto, mas pode validar a solução definida.

Corredores transversais e cruzamentos

Os corredores transversais normalmente precisam de maior largura porque concentram:

  • mudanças de direção;
  • cruzamento de empilhadeiras;
  • entradas e saídas de corredores;
  • circulação de pedestres;
  • cargas com visibilidade reduzida;
  • frenagens e retomadas;
  • aproximações em ângulos diferentes.

Além da largura, devem ser avaliados:

  • campo de visão do operador;
  • altura das cargas;
  • espelhos convexos;
  • sinalização de parada;
  • sentido preferencial;
  • velocidade máxima;
  • iluminação;
  • sensores e alertas;
  • barreiras para pedestres;
  • distância entre a esquina do porta-paletes e a faixa de circulação.

Aumentar a largura não resolve sozinho um cruzamento com visibilidade insuficiente.

Empilhadeira circulando com carga elevada

O dimensionamento do corredor deve considerar a condição normal de transporte, com a carga na menor altura segura.

A circulação com a carga elevada aumenta:

  • o risco de tombamento;
  • a possibilidade de impacto contra estruturas;
  • a interferência com instalações superiores;
  • a instabilidade da carga;
  • o efeito de irregularidades do piso;
  • a gravidade de um eventual acidente.

A elevação deve ocorrer preferencialmente somente no ponto de colocação ou retirada da unidade de carga, conforme o procedimento operacional e as instruções do fabricante.

Cargas longas ou de geometria irregular

Quando a empilhadeira transporta tubos, perfis, chapas, madeira, bobinas ou componentes industriais, o comprimento da carga pode ser mais relevante que a largura do equipamento.

Durante a curva, as extremidades da carga descrevem um arco muito maior que o raio de giro da própria empilhadeira.

Nessas situações, devem ser analisados:

  • comprimento total;
  • posição do centro de gravidade;
  • balanço para cada lado dos garfos;
  • flexibilidade da carga;
  • deformação durante o transporte;
  • rotação da extremidade;
  • visibilidade do operador;
  • necessidade de sinaleiro;
  • restrição temporária de pedestres;
  • operação em sentido único.

Para cargas especiais, a largura do corredor deve ser definida por simulação específica e procedimento operacional.

Margem operacional e tolerâncias

A folga normativa não deve ser confundida com tolerância para condução descuidada.

O projeto precisa considerar as variações inevitáveis da operação, como:

  • pequenas correções de direção;
  • desgaste dos pneus;
  • folgas da direção;
  • irregularidade do piso;
  • desalinhamento de estruturas;
  • deformação dos paletes;
  • cargas descentralizadas;
  • baixa visibilidade;
  • tolerância de posicionamento;
  • movimentação simultânea.

Quanto menor o corredor, maior deverá ser o controle sobre:

  • equipamento autorizado;
  • dimensões das cargas;
  • velocidade;
  • qualificação do operador;
  • sentido de circulação;
  • manutenção do piso;
  • tolerâncias de instalação;
  • segregação de pedestres.

Um corredor estreito não pode depender exclusivamente da habilidade individual do operador para funcionar com segurança.

Leve a NR 11 para a realidade da sua operação

Cada empresa possui equipamentos, cargas, corredores, estruturas, processos e riscos diferentes. Por isso, a adequação à NR 11 não deve começar com uma solução genérica, mas com um diagnóstico técnico capaz de identificar as necessidades reais de cada operação.

A consultoria da Rigging Brasil começa com o Diagnóstico de NR 11, avaliando o fluxo de equipamentos e pedestres, as condições das empilhadeiras, as larguras dos corredores, os sistemas de armazenagem, a sinalização, os procedimentos, os treinamentos e os controles operacionais existentes.

A partir desse levantamento, apresentamos um plano de ação com prioridades, recomendações técnicas e soluções para reduzir riscos, corrigir desvios e melhorar a segurança e a produtividade.

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Por:

Gustavo Cassiolato

Co-Founder and Technical Director at Rigging Brasil – Representante CTPP NR 11